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CERCA DE 3 MIL PESSOAS PARTICIPAM DA ABERTURA DA FLUP 23 NO 13 DE MAIO

Para abrir a agenda anual, a Festa Literária das Periferias celebrou, no dia 13 de maio, dois grandes escritores negros, Lima Barreto e Machado de Assis, reverenciando a ancestralidade e a sabedoria dos pretos e pretas-velhas brasileiras, além de apresentar Machado como cria da do Morro da Providência. Cerca de 3 mil pessoas subiram a Ladeira do Livramento para participar do festival.



O lançamento do livro Quilombo do Lima (Editora Malê + Selo Flup), que reúne contos de 22 autores e autoras negras inspirados na obra de Barreto, marcou as mais de 13 horas de programação gratuita, que começou com cortejos carnavalescos do Afoxé Filhos de Gandhi e do Bloco Prata Preta, atividades infantis, serviu feijoada, homenageou Mãe Beata de Iemanjá e promoveu o encontro dos grandes Haroldo Costa e Gilberto Gil.


A faixa musical da noite contou com as apresentações da Mestra Zélia do Prato, da Escola de Samba Vizinha Faladeira e do Samba de Caboclo. O 13 de maio tem uma forte carga simbólica, foi o dia de nascimento de Lima Barreto, o dia da dita abolição da escravatura, dia dos Pretos e Pretas-velhas da Umbanda e ainda, desta vez, véspera do Dia das Mães.


Com o lançamento do livro Quilombo do Lima, a Flup se despediu das comemorações pelos 100 anos de modernismo negro de 2022 para trazer em sua 13º edição o tema "Mundo da palavra, palavra do mundo", representados por Machado de Assis e Mãe Beata de Iemanjá.


O escritor e fundador da Academia Brasileira de Letras, um dos principais expoentes do nosso cânone literário, foi embranquecido pelas elites intelectuais e, na Flup 23, chega como "mundo da palavra", preto-velho da literatura e cria da Ladeira do Livramento, região da Providência, encruzilhada que é também berço do samba, da favela, da literatura e cultura diaspórica e oral afro brasileiras.


Mãe Beata de Iemanjá, sacerdotisa de um sagrado "sem bíblia" é a "palavra do mundo" na Flup 23. A Iyalorixá, que também era escritora, mostrou com sua história de vida e sabedoria os frutos das trocas culturais entre Bahia e Rio de Janeiro. Sua atuação foi para além dos muros do terreiro de Candomblé Ilê Axé Omiojuarô, em Miguel Couto, na Baixada Fluminense, e teve forte influência na luta pelos direitos humanos, sobretudo nas questões raciais, de gênero e LGBTQIA+.

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